Aos 95 anos, Kukas está de volta à ribalta. Onze anos depois da última exposição individual, em 2012, no MUDE (“Kukas — Uma Nuvem que Desaba em Chuva”), reaparece em 2023 com uma mostra no Museu Nacional de Arte Contemporânea e artigos de fundo na imprensa internacional, no “Financial Times” e na “Vanity Fair”, que destacam a personalidade e o percurso desta artista singular na área do design e da joalharia. É uma figura mítica em Portugal e lá fora, desde os anos 1960, devido às criações de joias geométricas em grande escala, que rompem com o conceito de joalharia da altura. Kukas (Maria da Conceição de Moura Borges), porém, sente que lhe falta fazer tudo o que gostaria e em 2024 está a programar a participação no Salão do Móvel, em Milão, e na Art Basel, em Basileia. Os novos projetos são impulsionados por Filipa Fortunato, arquiteta e proprietária do hotel Casa Fortunato, em Alcácer do Sal — de quem Kukas é madrinha de casamento e amiga da avó —, que surge como mecenas há cinco anos, quando a artista atravessa dificuldades. Apesar de nunca ter parado de criar (no seu apartamento, junto à Costa do Castelo, em Lisboa), Kukas fica sem meios financeiros para desenvolver o seu trabalho de forma sustentada, devido ao prejuízo com uma inundação, em 2002, na loja que tinha na rua de São Bento desde 1998, sete anos depois do encerramento do seu primeiro espaço, na Praça das Flores. Com o apoio de Filipa Fortunato, em 2018, começa por criar cerca de 20 objetos, entre jarras, manteigueiras, travessas e pratos, para servirem na Casa Fortunato, em Lisboa, que funcionava também como um ponto de venda. O projeto Kukas by Casa Fortunato, entretanto, é deslocado para um estúdio com loja própria, na rua da Escola Politécnica.
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