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Os Óscares vão à guerra: quem vai ganhar?

Estatueta. Cillian Murphy está nomeado para melhor ator pelo filme “Oppenheimer”, o grande favorito dos Óscares
Estatueta. Cillian Murphy está nomeado para melhor ator pelo filme “Oppenheimer”, o grande favorito dos Óscares

No ano do ‘Barbenheimer’ — que uniu “Barbie” e “Oppenheimer” na senda do sucesso —, só um dos filmes parece destinado a triunfar nos Óscares. A cerimónia, em Los Angeles, é na noite de domingo, evidentemente depois de sabermos quem, por cá, ganhou as eleições

Os Óscares vão à guerra: quem vai ganhar?

Jorge Leitão Ramos

Crítico de Cinema

Ainda se lembra, leitor, dos anos da pandemia? A maior parte das pessoas confinada em casa, os cinemas fechados, as plataformas de streaming em ebulição e galopante crescimento, os decisores dos grandes distribuidores americanos de cabeça perdida? Ainda se lembra quando a Warner anunciou — no final de 2020 — que 17 dos seus 21 filmes previstos para 2021 seriam estreados exclusivamente em streaming, nesse gesto declarando o que parecia ser o mais devastador terramoto que a atividade cinematográfica alguma vez sofrera? Depois, claro, os executivos fizeram marcha atrás nessa decisão, embora encurtando fortemente o tempo de exclusividade para as salas, norma que ainda perdura. Tempos loucos, idade negra, cujas sequelas se prolongaram pelos anos futuros e de que, deveras, não recuperámos por completo. Todavia, 2023 viu, sobretudo a partir do verão, o regresso às salas de cinema das desaparecidas massas de público, regresso muito potenciado por um daqueles fenómenos que parecem engendrados por um genial gabinete de marketing. Este, ao invés, nasceu de improviso, por acaso. Refiro-me, claro, ao ‘Barbenheimer’, designação aglutinadora dos títulos de dois filmes estreados em julho — “Barbie”, de Greta Gerwig, e “Oppenheimer”, de Christopher Nolan —, que pôs milhões de pessoas a correr de um para outro filme, cada um deles potenciando o sucesso do parceiro e, juntos, levando os números do box office para patamares de delírio. “Barbie” rendeu, internacionalmente, quase 1500 milhões de dólares; “Oppenheimer” ultrapassou os 950 milhões. Foram, respetivamente, o primeiro e o terceiro filmes mais vistos do ano. E, todavia, a sua programação em simultâneo não foi pensada em termos de mútua potenciação, mas, ao invés, de enfrentamento. Quem, inicialmente, anunciou data de estreia foi “Oppenheimer”, distribuído pela Universal. Era o primeiro filme de Christopher Nolan a não ser distribuído pela Warner desde 2002. Fora ali que Nolan crescera no interior da indústria, em particular graças aos três filmes de Batman que realizou para a Warner. Mas, dadas as posições assumidas pela companhia em 2020, na prática relegando a exibição em sala para segundo plano, posições a que Nolan se opôs publicamente com grande veemência, o financiamento de “Oppenheimer” foi procurado noutro lugar e negociado palmo a palmo (Nolan exigiu, nomeadamente, uma janela mínima de 100 dias de exclusividade em sala). Acabou por ser a Universal a assinar o compromisso.

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