O controlo da PSP no aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, está a ser afetado pela quantidade de agentes de baixa. Uma fonte da Direção Nacional da Polícia assegurou ao Diário de Notícias (DN) que há operacionais fora de serviço no controlo de fronteiras, ainda que não tenha indicado números concretos. Apesar da falta de agentes, o serviço não está comprometido.
A denúncia do elevado número de baixas foi feita por Carlos Oliveira, agente no aeroporto e dirigente da Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP), o maior sindicato de polícias em Portugal.
"A situação é crítica", confessa.
Segundo o DN, uma fonte da Direção Nacional da PSP corroborou que existem “alguns agentes de baixa na divisão de segurança aeroportuária” - que surgiu depois da extinção do SEF e é composto por militares da GNR - sem indicar números, mas assegurando que o "normal funcionamento não está, para já, comprometido".
Esta situação vem juntar-se a outros casos de declaração de incapacidade por parte dos polícias.
Ao que a SIC apurou, há mais de 60 polícias de baixa: cerca de 50 em vários serviços por todo o aeroporto e entre 12 e 14 no controlo da fronteira.
“Os nossos agentes sofrem com desgaste físico e psicológico. Agora, há estes protestos e percebem que não vale a pena continuar assim, vão ao médico, que atesta as doenças e os agentes metem baixa”, explica o agente Carlos Oliveira.
Segundo a Direção Nacional, a PSP não aceita as autodeclarações de doença.
“Todos estes agentes têm cinco dias para justificar a ausência e a baixa tem de ser atestada por um médico. Uma vez que ainda não decorreu este período para justificar a ausência ao serviço, não nos é possível confirmar qual a origem da declaração de baixa médica.”
Devido à especificidade do trabalho realizado no aeroporto, Carlos Oliveira indica que "mesmo que haja um reforço de polícias vindos de fora, nomeadamente do Comando Metropolitano de Lisboa, o trabalho não se consegue fazer de um dia para o outro".
Carlos Oliveira ressalva ainda que a situação não representa o cenário mais grave, uma vez que não têm sido registadas situações de "código amarelo". Contudo, são sempre cenários imprevisíveis.
“Se houver uma aterragem de emergência ou um passageiro desordeiro num avião ou numa porta de embarque, quem atua é a polícia".
Centro clínico notifica militares da GNR de baixa
Segundo César Nogueira, presidente da Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR), os militares de baixa (que, de momento, controlam as fronteiras terrestres e marítimas) foram, no passado domingo, notificados para se apresentarem nos centro clínicos de Lisboa e Porto.
Mafalda Almeida, porta-voz da GNR, assume não saber quantos militares se encontram de baixa, mas sustenta que o número de militares de baixa é maior do que o normal.
Primeiro-ministro considera eventual boicote policial às eleições “ato grave de traição à democracia”
Depois do presidente do Sindicato Nacional de Polícia (Sinapol) ter colocado em cima da mesa a hipótese de perturbação durante as eleições, António Costa indicou que as forças seguranças cometeriam, nesse cenário, um "ato grave de traição à democracia".
O primeiro-ministro disse, numa carta dirigida ao porta voz e presidente da Sinapol, que “conhecendo bem os homens e as mulheres que servem nas nossas forças de segurança, é minha profunda convicção, e acredito ser também a de todas as cidadãs e cidadãos, que jamais as forças de segurança perpetrariam um ato tão grave de traição à nossa democracia”.