Futebol internacional

Anwar El Ghazi e Youcef Atal fizeram publicações sobre o conflito entre Israel e o Hamas e foram suspensos pelos clubes

Anwar El Ghazi chegou esta temporada ao Mainz
Anwar El Ghazi chegou esta temporada ao Mainz
Alex Grimm/Getty

Ambos os jogadores apagaram as mensagens mas ainda assim foram sancionados pelos clubes

Expresso

O 7 de outubro de 2023 e os dias que se seguiram escreveram a ferro e sangue mais uma terrível página do conflito no Médio Oriente, com as ondas de choque a serem ainda incontáveis e imprevisíveis. E a não se cingirem àquele pedaço de terra.

Nas redes sociais, esse espaço sem nacionalidade mas aberto a todas as sensibilidades, chovem as reações. E duas delas deixaram dois jogadores de futebol em situação delicada. Anwar El Ghazi, neerlandês de origem marroquina, agora a jogar no Mainz da Alemanha, e Youcef Atal, argelino que representa o Nice, estão ambos suspensos depois de fazerem publicações sobre o conflito que foram consideradas não aceitáveis pelos seus empregadores.

Num post posteriormente apagado, El Ghazi, que conta com passagens pelo Ajax, Lille ou Aston Villa, escreveu “Do rio até ao mar, a Palestina será livre”, numa alusão ao território desde o Rio Jordão até ao Mar Mediterrâneo. A frase é considerada pela comunidade judaica como uma negação da existência do estado de Israel.

“O FSV Mainz 05 dispensou Anwar El Ghazi de todas as suas funções relacionadas com treinos e jogos”, escreveu o clube da Bundesliga em comunicado, explicando que a “decisão surge na sequência de uma publicação do jogador de 28 anos nas redes sociais, entretanto apagada”. O Mainz sublinha ainda que “no post em questão, El Ghazi adotou uma posição que foi considerada inaceitável pelo clube” e que antes de afastar o jogador houve entre o clube e o futebolista “uma discussão aprofundada”.

“O Mainz respeita as diferentes perspectivas sobre o complexo conflito do Médio Oriente, que se arrasta há décadas. Contudo, distancia-se do conteúdo da publicação porque este não anda de mãos dadas com os valores do nosso clube”, apontou ainda o 17.º classificado do campeonato alemão.

Já na Ligue 1, o Nice optou por afastar Youcef Atal “até nova ordem” depois do lateral argelino publicar um vídeo em que o religioso palestiniano Mahmoud al-Hasanat pede a chegada de “um dia negro aos judeus”. Tal como El Ghazi, também Atal apagou rapidamente a publicação e pediu desculpas, mas não escapou a uma investigação do Ministério Público de Nice por “apologia ao terrorismo” e posteriormente à sanção do clube.

“Gostaríamos de salientar que a reputação e a união do Nice resultam do comportamento de todos os seus colaboradores, que devem estar de acordo com os valores defendidos pela instituição”, escreveu o 2.º classificado da liga francesa em comunicado, reafirmando “o seu firme compromisso para que a paz prevaleça sobre todas as outras considerações”.

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